Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

Arafat

Tenho que deixar aqui um post sobre a morte de Arafat. Isto porque sou um animal político e não me concebo sem estar a pensar constantemente. E porque sou um ser humano e nenhum outro ser humano me é estranho.


Independentemente dos defeitos do homem por uma coisa ele lutou toda a vida, que o seu povo tivesse uma pátria. E levou isso ao extremo de por isso acima da sua vida e da vida dos seus. E ainda uma pequena indignação perante certas forças (as direitas americana e israelita) que no início o acusavam de ter o dinheiro nas suas contas para o utilizar as escondidas no subsídio da luta e agora, na tentativa de dar uma imagem negativa perante o seu povo, tentam dar outras imagem. Coisa engraçada, não é, exactamente as mesmas forças que fazem do princípio de fazer dinheiro a qualquer custo uma norma, uma filosofia, um direito.


Mas mais que tudo esta feira-novela, levada até ao vómito, à volta da sua morte e dos direitos de quem tem direito a ser seu representante. Quando o leão está agonizante, os chacais, antes temerosos, apróximam-se e começam, entre lágrimas, a debater quem ficará com que pedaço da sua carne.


Tenho dito!


 

publicado por maratonista às 19:52
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Para sorrir um pouco

Uma resposta, em poema, de Natália Correa ao deputado João Morgado (CDS) que fez rir todas as bancadas parlamentares. «O acto sexual é para ter filhos» - disse, com toda a boçalidade, o deputado. E Natália Correia respondeu-lhe:



  • Já que o coito - diz Morgado -

  • tem como fim cristalino,

  • preciso e imaculado

  • fazer menina ou menino;

  • e cada vez que o varão

  • sexual petisco manduca,

  • temos na procriação

  • prova de que houve truca-truca.

  • Sendo pai só de um rebento,

  • lógica é a conclusão

  • de que o viril instrumento

  • só usou - parca ração! -

  • uma vez. E se a função

  • faz o orgão - diz o ditado -

  • consumada essa excepção,

  • ficou capado o Morgado.
publicado por maratonista às 15:33
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Para a Fernanda


  • Não deixes que o frio

  • te toque no coração,

  • ó doce menina dorida,

  • não deixes que a dor

  • se apodere da tua alma,

  • ó princesa sem reino.

  •  

  • Quem não te escuta

  • não te merece, não,

  • não merece uma lágrima,

  • um bater do coração,

  • um pensamento sequer,

  • dessa tua bonita cabeça.

  •  

  • Sorri princeza, sorri,

  • deixa que as penas

  • vaguem teu coração

  • e o sol irrompa no céu

  • do teu olhar lindo

  • dos teus olhos em flor


  • Sorri menina, sorri,

  • deixa brincar o coração

  • com coisas de encantar,

  • com sonhos de querer,

  • com abraços e beijos

  • de amigos bem queridos.
publicado por maratonista às 11:24
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

Para começar o dia

Possidónio Cachapa numa mini autobiografia na últi ma página do JL nº 889:


Nunca se pode ser adolescente e feliz, acho; sobram-nos os joelhos e os braços desastrados para fora do armário; às vezes as ideias. Mas sobrevive-se frequentemente. Quase todo inteiro. Só uma parte fica invisível para sempre, como se um gato gordo se tivesse deitado sobre a erva fresca até que parte das suas raízes apodrecesse para sempre. Também é aí que se aprende que se pode escrever com clareza sobre tudo, menos sobre nós, mistério maior do que se traz às costas.


Dei por mim...a ler alto poemas de ingénua invenção e a descobrir que o amor e a amizade são coisas que se cultivam em vasos, e se regam com fervor quando a inocência ainda não nos largou a cara. E que às vezes, até se confundem.


...nasciam-lhes batatas doces nas mãos enquanto falávamos de Pink Floyd e um céu de nuvens apressadas nos corria por cima.






Mais uma vez do JL. Para quem gostar de citações O Citador pode ser útil (www.citador.pt) onde se pode encontrar, por exemplo, de Descartes: « As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos».





publicado por maratonista às 09:50
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2004

A Mariana tinha um gato

A Mariana tinha um gato, melhor dizendo uma gata. Não pensem que era uma gata qualquer, uma rafeirita preta e escanzelada que se apanha, por pena, abandonada num jardim e se trás para casa para dar de comer e que acaba por ficar. Não. Era uma genuína gata francesa, felpuda, gordinha, incapaz de ir atrás de um rato. O seu maior prazer era estar deitada, esparramada, no sofá a ser afagada e coçada pela Mariana. Tinha, no entanto, uma característica engraçada: quando a Mariana lhe falava ela respondia-lhe, não de viva voz mas dentro da cabeça da Mariana. Vamos então ouvir um desses diálogos.


- Nã pecebo nada, disse a Mariana


(Ronron. Qué qui foi pequinina?


- Poqué queu tenho di pá cama e eles ficam a vê os bonecos na tebisão?


(Eles são grandes, coça aqui um bocadinho debaixo do queixo)


- E poqué cos peninos não podem


(Porque são pequininos e devem ir dormir, dormir ‘e bom.Ronron.)


- Uhnnn. Tabém…eles na vêm os bonecos. É só pessoas a falar coisas que nan entendo.


(Pois, não tem interesse nenhum, ronron, bom é dormir)


- Olha que tu também! Só pensas no dormir. Eu é que tenho quir pra scola.


A gata levantou-se, deu duas marradinhas no peito da Mariana e disse:


(Por isso é que tens de ir para a cama, para amanhã não estares cansada)


- Pois, e tu qué que fazes?


(Eu fico a guardar a casa dos ratos, é a minha tarefa.)


- Ah.Ah. Ganda maluca. Rates. Brrrr. Vamos é dormir.


(Ronron. bora pequinina, deixas-me dormir aos teus pés?)


- Tabém, mas nam digas à mamã.


(Fica entre nós, ronron).

publicado por maratonista às 19:21
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Quero teus sonhos abraçar


  • Quero os teus sonhos abraçar
  • e com eles me encantar,
  • mergulhar a mão no teu cabelo
  • e afagar, docemente, com desvelo,
  • essa cabecita linda e misteriosa
  • que encima tua feição amorosa.
  •  
  • Fazer-te sentir outra vez menina,
  • nos meus braços pequenina,
  • e lábios nos lábios a arder
  • esta paixão a acontecer.
  • Quero teus sonhos abraçar
  • e neles praticar o verbo amar.
publicado por maratonista às 11:01
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2004

Para acabar o dia

No JL 889, Guilherme de Oliveira Martins, na sua coluna A Paixão das Ideias, trás à memória um dos últimos romances de Graham Greene. Este escritor utiliza a figura de D. Quixote e, junto com Sancho Pança, um "alcalde" comunista e um padre constitiu uma, bem humorada revisitação à obra de Cervantes. A certa altura o "alcalde" propõe que almocem no restaurante "Pôncio Pilatos". Recusa complecta de D. Quixote que justifica porque considera Pilatos o símbolo da neutralidade, o pecado dos nossos dias «não podemos ficar neutros quando se trata de escolher entre o bem e o mal».


Para pensar.






Um poema de Natália Correia. Divertido. As Alunas das Doroteias.



  • As alunas das doroteias

  • Comem todas as manhãs

  • Uma loura papa de aveia

  • E nisto são meninas cristãs.

  •  

  • Mas para que não conste que estas florinhas

  • São antrópofagas e pagãs,

  • Para que se não diga que elas comem

  • O Santo Padre todas as manhãs,

  •  

  • Uma freira a quem nada escapa

  • E que depois de morta vai ser santinha

  • Ensinou-lhes que em vez de papa

  • Elas devem dizer farinha.





Pois é. E vão vinte e cinco anos que Alice Vieira nos deu Rosa, minha irmã Rosa. A editora Caminho  lançou uma edição comemorativa com papel de alta qualidade.





publicado por maratonista às 19:42
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Começo a estar farto disto!

Estou a começar a ficar farto! Durante todo o dia tentei entrar na gestão do blog e népias. Além disso fazer comentários nos blogs aqui no sapo está a tornar-se um trabalho digno de Jó. Começo a ficar, como dizem os nossos irmãos brasileiros, de saco cheio. Se isto continuar assim passo de armas e bagagem para a concorrência.

publicado por maratonista às 19:07
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004

Do que corre por aí

Duas coisas acerca de um canal da televisão por cabo: a Sic Mulher.


A série A Juiza (Que diabo é que a SIC está à espera para por esta série em horário nobre no canal generalista? É que era autêntico serviço público!) Os temas ali tratados, a maneira como o são, as decisões, e os porquês das decisões, da juiza (só uma mulher é que consegue ter aquela bendita sensibilidade), todo o jogo do enredo entre a vida particular dela e os casos que julga, são do interesse geral e verdadeiro motivo para a excitação do pensamento das coisas.


Há um anúncio a um novo programa da Sic Mulher, Corte i Costura, que em princípio deveria ser dirigido às mulheres, público alvo do canal. Agora...alguém que me explique porque é que raio quando vejo este anúncio sinto que estou a ser seduzido. Não é por nada, até gosto de ser seduzido, só gostava de entender.






Acabou de sair um livro interessantíssimo para quem se interesse por culinária e história. Sabores de Goa, de Maria Fernanda Noronha da Costa e Sousa e Inês Gonçalves(fotos), da Assírio & Alvim. A cozinha indiana (já estou a sentir as papilas gustativas a despertar) com alguma influência da presença portuguesa. Para mim já está no cesto de compras.





publicado por maratonista às 19:46
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

Mark Twain

Mark Twain foi, na minha juventude, um dos escritores preferidos. Acerca da sua importância e influência Ernet Hemingw: "Toda a literatura moderna americana brotou de um livro de Mark Twain, As Aventuras de Huckleberry Finn...". Um conto dele, O Diário do Pai Adão, é bastante interessante e humorístico, com uma ponta de ternura à mistura. Para além das várias peripécias ali relatadas que mostravam o encontro e a maneira como se relacionavam Adão e Eva, isto sob o ponto de vista tanto de um como de outro nos seus diários o conto acaba assim, já depois de serem expulsos, (e isto é para todas as mulheres):


NO TÚMULO DE EVA


Adão - Onde quer que ela esteve, esteve o Paraíso

publicado por maratonista às 19:44
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