Sexta-feira, 18 de Março de 2005

Lis, a primeira inspectora criminal portuguesa

Antes de mais muito obrigado a todos que por aqui passaram a felicitar-me. Não é todos os anos que se festeja meio-século de vida.
Tenho um conto novo, um bocado longo. Vai ter que sair aos bocados. Espero que gostem.



Lis entrou no edifício resolutamente levando numa mão direita a pasta com processos e no braço esquerdo um vaso com uma planta. Comprimentou o contínuo na portaria com um aceno de cabeça e meteu-se no elevador para o terceiro andar. Já no corredor, enquanto se dirigia para o seu novo gabinete, sentiu olhares rancorosos nas suas costas. Eles que fossem para as putativas progenitoras, pensou. Raios os partam se vou deixar que me façam a vida negra só por ser a primeira mulher com o cargo de inspectora da polícia judiciária. O director-geral, que tinha vindo propositadamente de Lisboa para lhe dar posse, tinha-a avisado das contrariadades que poderia ter mas também lhe tinha assegurado todo o apoio da sua parte. Arrumou a secretária, colocou a planta no parapeito da janela (amanhã haveria de trazer outra para ficar em cima do armário) e mal se tinha sentado ouviu bater na porta.

- Entre.

Era o director dos serviços regionais.

- Como vai Lis? – avançou estendendo a mão.

- Trago-lhe aqui dois processos para resolver.

- Muito bem – disse-lhe, pegando nas pastas – de que tratam?

- Dois casos de violação. Quero também assegurar-lhe que o meu gabinete estará sempre aberto para si.

- Obrigada.

- Então até depois – e saiu.

Já estou a ver. Vou apanhar com todos os casos que eles pensam ser adaptados a uma mulher. Corja de imbecis e eu que me pelo por um assassíniozinho complicado. Bom, vamos lá pegar no primeiro processo.

(continua)

publicado por maratonista às 10:43
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005

Aniversários

Divino!
Faço anos no mesmo dia que a Elis Regina.
Ela já cá não está entre nós mas logo à noite vou beber uma "flute" de champanhe em sua memória e honra. Saravá Pimentinha.
publicado por maratonista às 10:05
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Quarta-feira, 16 de Março de 2005

25 Anos de Jornal de Letras

Hoje vai sair posto cultural.


O JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) faz 25 anos. É obra.
Está a partir de hoje nas bancas o nº 899 do JL, comemorativo de 25 anos e, surpresa das surpresas, trás com ele o nº 1 lançado a 3 de Março de 1985. Minha gente, gente minha, isto não tem preço.
Para vos fazer água na boca digo-vos que este nº 1 tem uma entrevista de Fernando Assis Pacheco a José Cardoso Pires, Agustina Bessa Luis escreve sobre autores russos, Eduardo Lourenço revisita Jorge de Sena, João de Freitas Branco escreve sobre política cultural músical, et cetera, et cetera, et cetera.
O nº actual traz inéditos de Eduardo Lourenço, Fernando Assis Pacheco, José Saramago, Lídia Jorge, Manoel de Oliveira e Natália Correia. Que mais vos posso dizer, garanto-vos que os 2,60 € de custo é uma autêntica pechincha.

publicado por maratonista às 19:52
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Terça-feira, 15 de Março de 2005

Posto para virar a mesa

Por culpa de um dia às voltas a resolver problemas-cereja ("quer-se dizer" atrás de um outro vem) no trabalho, seguido de um treino de 17 kms "a dar no osso" este posto (termo muito correctamente utilizado pela so12 pois escrevemos em português) vai sair a bater.
Na revista ÚNICA do jornal Expresso, na página de Clara Ferreira Alves (Pluma Caprichosa), vem um artigo a bater (e muito bem, que não lhe doam as mãos) num "gerico" de nome Larry Summers, presidente da excelentíssima universidade de Harvard. Ao que parece o dito senhor teria manifestado a sua opinião acera da capacidade das mulhres para as ciências ditas sérias e duras como a matemática. física e engenharia, a qual seria inferior à dos homens por razões genéticas. Chamei ali em acima o cavalheiro de "gerico" - é um insulto à nobre espécie dos burros. Clara Ferreira Alves lembra que Madame Curie também fez descobertas importantes mas podia ter dito mais. Marie Curie (nascida Marie Skodowska na Polónia) foi até hoje a única pessoa (masculina ou feminina) a receber dois prémios nobel e fez tudo isso sem aceitar perder o seu direito a ser mulher e feliz. Causou escandalo à época o seu caso amoroso com um homem mais novo. Aiás a sua filha Irene Joliot Curie também foi prémio nobel da física. Claro que o fulano de Harvard, sobrinho de dois prémios nobel da economia, se deve achar num escalão superior ao das mulheres no que respeita a inteligência. É o que se chama ter um pénis que chega à cabeça.
publicado por maratonista às 19:54
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Segunda-feira, 14 de Março de 2005

Bolas pr'ó Pacheco

Estive a pensar de onde vinha a expressão que uso quando estou um pouco chateado com qualquer coisa – Bolas pr’ó Pacheco. E lembrei-me.


Havia uma corrida de estafetas entre as cidades de Braga e Guimarães que se realizava num ano num sentido e no outro ano em sentido contrário. (Para quem não sabe a corrida por estafetas é feita por uma equipa, normalmente quatro elementos, correndo cada atleta uma parte do percurso e entregando o testemunho ao elemento seguinte da equipa que correrá o percurso seguinte. Óbviamente todos dependem de todos). Uma das principais equipas da região tinha feito no dia anterior o tradicional jantar de convívio da equipa, um "pica no chão" (cabidela de frango caseiro) regadinho com vinho verde tinto. No dia seguinte, no segundo ponto de passagem de testemunho estava toda a gente à espera. Começam a aparecer os atletas do percurso anterior e vão entregando o testemunho ao membro seguinte. Passa um, dois, três, quatro e nada de aparecer o atleta dessa equipa, de nome Pacheco. O colega que estava à espera começa a ficar chateado e a gritar "bolas pr'ó Pacheco, bolas pr'ó Pacheco". Finalmente, já metade das equipas tinham passado o testemunho, chega o homem e entrega o testemunho. Só depois, quando ele contou o que aconteceu, é que comprendemos o facto de um atleta de bom nível chegar assim atrasado. O "pica no chão" do dia anterior tinha-lhe "desanrrajado" os intestinos e durante o seu percurso ele teve que parar por duas vezes e ir para trás de umas moitas para fazer uma necessidade. E ficou a frase que ainda hoje alguns de nós utilizamos - Bolas pr'ó Pacheco.

publicado por maratonista às 11:07
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Quarta-feira, 9 de Março de 2005

dois casos do atletismo feminino português

Isto agora está de muito trabalho, muito trabalho...arre que é só coisas para fazer.


De qualquer maneira este post é dedicado ao atletismo no feminino. Teresa Machado, a nossa melhor lançadora (peso e disco e martelo) e uma das 12 melhores lançadoras de disco do mundo da última década (independentemente de ser a mais baixadas 20 primeiras), com presenças consecutivas em finais de campeonatos da europa e do mundo, agora em final de carreira como atleta, tem que trabalhar como mulher a dias. Nada contra a profissão, tão honesta e importante como, por exemplo, a de deputado, mas é triste.


A sua provável sucessora, Maria Antónias Borges, apenas com 21 anos, apesar de ter nascido em Portugal só no início do ano conseguia a naturalização portuguesa (era cabo-verdiana). Andou nos últimos dois anos a ganhar o campeonato nacional de sub-23 mas não podia subir ao pódio. Claro que se fosse um jogador de futebol brasileiro contractado por um clube grande era coisa para uns dois mesitos.

publicado por maratonista às 16:18
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Terça-feira, 8 de Março de 2005

...

8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Não deveria haver necessidade de um dia internacional da mulher. Mas há.


Portanto para vocês mães, filhas, irmãs, amigas, companheiras, esposas, amantes, colegas, vizinhas. Médicas, enfermeiras, donas de casa, secretárias, ministras, soldados, polícias, operárias, motoristas, bombeiras, balconistas, vendedoras, atletas, empresárias.


Obrigado, muito obrigado, por existirem.

publicado por maratonista às 09:59
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Segunda-feira, 7 de Março de 2005

Pedro Mexia

O JL nº 898, já nas bancas, traz uma entrevista o poeta Pedro Mexia e faz uma recensão ao seu livro Vida Oculta (Ed. Relógio D'Água). Deixo-vos três pequenos poemas por onde passa um traço de amargura.



Infeliz quem, ao contrário


de Ulisses, volte a casa


e nem sequer um cão, nem


um cão sequer, ladre.


________________________________________


Eu amo o teu gravador de chamadas.


Ele não me abandona


e repete vezes sem conta


a tua voz.


_________________________________________


...


Mas em certas horas


e certos meses


estamos tão sozinhos


que até os nomes das estações


fazem companhia.



e para acabar



Os meus demónios


tratam-me pelo nome.


Os meus demónios


são legião e não desertam.


Os meus demónios


obedecem a todas as ordens


e a nenhuma vontade.


Os meus demónios


começaram por ser meus


por afinidade e agora


são parentes de sangue.


Os meus demónios


é que escrevem os poemas.

publicado por maratonista às 14:31
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Sexta-feira, 4 de Março de 2005

Morrer face ao Outono

Já é costume eu trazer-vos aqui o João Bénard da Costa e a sua página do Público das sextas, A Casa Encantada, e hoje assim vai ser. Desta vez ele traz-nos um conto de Giraudoux chamado "L'Ombre sur les Joues". Minha gente, o preço do jornal não paga, nem pouco mais ou menos, esta página. A história de amor, triste, do médico irlandês Niels Jacobsen ter-me-ia deixado triste para o resto dio dia se não fosse a beleza intrínseca nela residente. E depois João Benard não se limita a dar-nos o conto, traz mais coisa e loisas à baila e Rilke. Deixo-vos, para abrir o apetite, um pequeno parágrafo:


"Qualquer dia, ainda me acontece o que aconteceu a Malte na Rua Toullier, num 11 de Setembro. Vou por uma rua vazia, e uma mulher deita a cara às mãos, e fica-lhe a cara nas mãos, e fica-lhe a cara nas mãos. Que visão será mais horrível? Uma cara do avesso nas mãos de uma mulher? Ou uma cabeça toda nua, esfolada viva, sem cara?"

publicado por maratonista às 09:46
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Quinta-feira, 3 de Março de 2005

Cyrano de Bergerac

Para a maior parte das pessoas quando lhes falam, ou perguntam pelo seu tipo preferido de romance de capa e espada, acitam Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Pois a mim ninguém me tira Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand:


Filósofo, físico,
Poeta, brigão, músico,
E viajante aéreo,
Respondendo ao ataque com o ataque
Amante também - mas não para o seu bem -
Aqui jaz Hércules-Saviniano
De Cyrano de Bergerac
Que foi tudo e nada foi.


Protagonista de uma das mais belas estórias de amor que a literatura nos deu. De certa maneira todos nós temos uma Roxane nas nossas vidas.

publicado por maratonista às 14:59
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