Sexta-feira, 29 de Abril de 2005

Subitamente

Subitamente o nevoeiro desceu sobre o mar, tornando aquela fria manhã de verão num outono antecipado. O grito das gaivotas ecoava ao longe e o marulhar das ondas estava em todo o lado. A areia molhada acariciava-me os pés nus enquanto passeava ao longo da rebentação. Cabeça limpa sem pensar em nada, gozando apenas o momento solitário. Reparo então que me vou aproximando de uma surfista. O fato de borracha, negro contrastando com os longos cabelos dourados, molhados , modelava um corpo de sereia. Sentada na areia com a prancha espetada ao lado, o olhar desafiador, colérico e bravio estava pousado no mar. Quando passo os olhos desviam-se pousando nos meus e aquele verde invadiu-me o pensamento antes sereno. Os deuses devem estar loucos penso. Que vantagem têm eles em vir desinquietar-me assim. Passo, dentes cerrados e olhar em frente. A areia fina transformada em cascalho já não acaricia os pés, magoa-os. Deito um último olhar para trás e vejo, ao longe, o seu vulto sentado. Continuo em direcção ao molhe, o nevoeiro começa a levanter-se e o verão recomeça mas algo se perdeu. A serenidade.

publicado por maratonista às 16:19
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2005

Curiosidade

curioso.jpg

A curiosidade é uma qualidade e é fonte essencial para a aprendisagem.
publicado por maratonista às 19:48
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Textos sobre Gil Vicente

Vamos lá fazer um bocado de serviço público. Tirei isto do Jornal de Letras, secção "o homem do leme", texto de Manuel Halpern.


A editora Quimera disponibiliza na internet uma colecção de textos sobre as obras de Gil Vicente em formato PDF. As obras originais há muito que deixaram de estar disponíveis no mercado. Quem se interessa pelo assunto tem aqui o link:


www.quimera-editores.com/vicente/ebook.html


Espero que gostem.

publicado por maratonista às 14:29
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Terça-feira, 26 de Abril de 2005

Estou chateado

Então é assim. Eu já estou habituado ao "spam" no meu email. Ofertas de medicamentos baratos (a propósito: se quem me manda mensagens publicitárias para comprar viagra está a ler isto saiba que cá por estes lados isto está "para lavar e durar" nos próximos decénios), anúncios eróticos (please, include fotos) e anúncios a agencia de encontros (desculpem lá mas não compro por catálogo). Agora estou fortemente chateado com um email. Direi mesmo fodido (desculpem-me o palavrão). Aos cavalheiros que me mandaram um email racista e imbecil (é uma redundância, eu sei), supremacia branca ou lá que merda se julgam, saibam que não só não sou da vossa pandilha como se vos apanho "ao vivo" deixo-vos pretos de porrada. Mas porrada a sério, com direito a passagem pelos serviços de urgência. Tenho dito.
publicado por maratonista às 20:31
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Apontamentos 2

No meio de muita coisa para acabar e ainda em recuperação da sova de 42 kms da semana passada deito um olho à classificação por escalões da maratona e só me apetece bater com a cabeça na parede. Se, como estava programado, eu tivesse feito 12 semanas de treino específico atingindo os 120 kms por semana e não tivesse falhado treinos para ir em “lanchinhos” tinha feito a maratona em condições de lutar por um lugar no podium no meu escalão. Desta feita Carlos...bolas para ti.

E o 25 de Abril fez 31 anos. Faz 30 anos que andava eu nas ruas desta cidade de Braga à paulada e cacetada. É o que acontece quando se tem 20 anos, “sangue na guelra” e se apanha com conceitos de política pelas trombas sem preparação nem bagagem técnica e semântica para analisar toda a informação que nos entra pela cabeça dentro. O que vale é que hoje a malta do outro lado é malta amiga e bebemos uns copos juntos. Enfim... tirando aqueles que fizeram uma volta de 180 graus e foram passar para os antípodas. Juro-vos: esta é gente que não consigo entender. Se é que é para entender.

publicado por maratonista às 14:57
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2005

Golda Meir

Para começar a sexta-feira uma sugestão de leitura tirada de secção Estante do Jornal de Letras:
Um Amante na Palestina. As Paixões de Golda Meir. De Sélim Nassib, editora Teorema.
"Surge como romance mas conta uma história real. E não pouco escandalosa: a do amante de Golda Meir(1898-1978) Que a antiga primeira-ministra israelita tivera múltiplos amantes, já se sabia. O que se ignorava é que tivesse tido um... libanês e árabe." Segundo o autor "a história foi forçada a desenrolar-se inteiramente nesse quase, o pequeno espaço onde o que não deveria acontecer acontece, a estreita faixa de terra onde cresce a flor proibida, a pulsão instintiva, a própria vida".
Sempre considerei Golda Meir uma das grandes mulheres do século XX (e deixando-nos de machismos um dos grandes seres humanos, homem ou mulher, do século que acabou). Uma história destas só vem confirmar a minha opinião.
publicado por maratonista às 10:14
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2005

Testes

Respondendo a um desafio da Kidagakash (link ali à esquerda):

Se fosse MÊS seria Março. Porquê? Março marçagão/ de manhã Inverno/de tarde Verão. Diz muito acerca de mim.


Se fosse DIA DA SEMANA seria Sábado. Preciso explicar?


Se fosse PARTE DO DIA escolheria a manhã. Embora também goste da noite que é quando o meu cérebro está mais afinado, é a manhã que me define.


Se fosse HORA seria a hora de levantar da cama.


Se fosse PLANETA seria Neptuno. Por razões míticas.


Se fosse Animal seria um lobo. Um lobo alfa.


Se fosse um ANIMAL MARINHO seria uma tartaruga.


Se fosse PONTO CARDEAL seria Este. Porque é assim que me sinto muitas vezes, a leste de tudo.


Se fosse PECADO seria o orgulho. Infelizmente acho que padeço.


Se fosse uma PERSONAGEM MÍTICA seria Cyrano de Bergerac. Já postei sobre ele.


Se fosse uma BEBIDA seria a um “levanta muertos”. Eu explico. É uma bebida que os mexicanos usam na noite anterior ao dia “dos fieis defuntos”. Passam a noite nos cemitérios a beber esta bebida feita pelos próprios com base noutra bebida chamada de mezcal, feita a partir de um cato de nome agave. O nome tem a ver com os efeitos da bebida.


Se fosse FLOR? Esta é dificil. A rosa é a flor da minha cidade e o seu simbolismo é-me caro mas acho que escolheria o cravo.


Se fosse ESTAÇÃO DO ANO seria o Verão. Tragam-me o sol por favor.


Se fosse FRUTO seria a romã. Porquê é pergunta para o psiquiatra.


Se fosse MÚSICA? aqui vamos fazer uma divisão. Música clássica: seria a abertura da quinta sinfonia de Beethoven (têm que a ouvir para compreender). Música pop: seria Strangers in the night, cantada pelo Sinatra. Era a música preferida pela minha mãe.


Se fosse LIVRO seria Três Homens num Bote (sem falar no cão) de J. K. Jerome. Porque o humor é, na vida, tão importante como o amor.


Se fosse LOCAL seria o Taj Mahal. Que querem, sou palerma romântico.


Se fosse SABOR seria...comida indiana picante.


Se fosse CHEIRO seria...vocês conhecem aquele cheiro que se desprende da terra depois de uma chuvada?


Se fosse SENTIMENTO seria a Paixão, como acho que é o que a maior parte das pessoas vão dizer. Porquê: porque ali eu sei que estou inteiro, sem reservas, mesmo a doer.


Se fosse OBJECTO seria uma funda. Cuidado Golias!


Se fosse EXPRESSÃO FACIAL seria o sorriso. Não o riso mas o sorriso.


Se fosse NÚMERO. Num destes testes de numeralogia o meu nome deu isto:

Personalidade 1

A personalidade 1 revela pessoas brilhantes, dinâmicas e com um percurso de independência.
Dotadas de grande energia, embora quase sempre cíclica, são pessoas nervosas e inquietas que ao longo da vida devem tentar vencer alguma instabilidade na procura da harmonia. Têm grande força de vontade embora mudem de objectivos à medida que os vão atingindo ou aceitam novos desafios.
Gostam de fazer tudo sozinhos ou, pelo menos, de centralizar funções o que pode levar a um esforço excessivo e consequentemente a grande desgaste.
Apreciam as coisas boas da vida e por isso o dinheiro é para eles importante na medida em que podem ter o que querem sem depender de ninguém. Têm grande criatividade.
São charmosos e, de uma maneira geral, o amor para eles não constitui dificuldade. Apaixonam-se com alguma frequência.


Se fosse SOM seria do apito do farol a avisar os barcos.


Se fosse CARTOON seria a Mafalda. Que saudades.


Se fosse PARTE DO CORPO seria o coração, óbviamente.


Se fosse INSTRUMENTO MÚSICAL seria um saxofone tenor. Tendências jazzisticas.


Se fosse CARRO seria um Porche 911. Os mitos nunca morrem.


Se fosse MOTA seria uma antiga Triumph das antigas, em preto. Eram motas de uma grande beleza.


Se fosse SÍMBOLO QUIMICO seria H2O. Preciso explicar?


Se fosse PALAVRA seria impróprio. Não gosto de limitações.
publicado por maratonista às 16:24
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2005

É pá

É pá, ouvi esta frase (ou sonhei com ela, que isto de manhã às vezes está um pouco confuso) que na competição dos cardeais ganhou o rotweiller da fé.
Tendo em conta que o homem presidia ao organismo sucessor da santa inquisição a frase está bem aplicada
(É pá, espera aí, mas o rotweiller não é considerado um cão perigoso e para se ter um não é preciso uma licensa?)
publicado por maratonista às 14:18
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Terça-feira, 19 de Abril de 2005

Palavras, palavras

Às vezes, quando vou ao dicionário, e os olhos passam de repente pelas palavras vêm-me à mente jogos de palavras. Não sei se com vocês acontece o mesmo. Cá vai uma fresquinha:


A pandilha tinha um pândego pançudo que com a pandeireta armava um pandemónio. Era um pancrácio que sofria do pâncreas. Outro era um estivador esteta que usava um estetoscópio, era estranho, talvez um estratagema, ou então estava estigmatizado por qualquer estopada ou esterqueira

publicado por maratonista às 17:06
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2005

Carlos Lopes Memorial Gold Marathon

Primeiro vamos à crónica sobre a maratona de Lisboa. O tempo estava bom para correr e não havia demasiado vento. Como me correu? Enfim...sinto-me todo amarrotado. Sobre a organização tenho a dizer que foi má. Li que querem fazer desta maratona uma das melhores da Europa dentro de 5 ou 6 anos. Não vejo como. O Porto organizou em Outubro a sua primeira maratona e teve uma organização impecável, ao nível do que se faz "lá fora". Não poderiam ter aprendido com eles? Talvez que a grande diferença estaja no facto de que a maratona do Porto era organizada por atletas, para atletas e com o objectivo de servir o atletismo. E há algo que certas organizações de competições de longa distância devem saber. É que têm de ter respeito pelos atletas que deram o que têm de melhor dentro de si e que no final de uma maratona não estão muitas vezes nas melhores condições para pensarem. Ali, no Parque das Nações, o atleta que chegava ao fim de prova e que veio de longe ia tomar duche onde? Nas águas do rio? O que fizemos, nós os que viemos da zona norte, foi tirar o sal do rosto nos WC do cais do Oriente, vestir o fato de treino e apanhar o comboio para casa onde, no meu caso às seis e meia da tarde, podemos tomar um duche. Assim não. No próximo ano se quiser fazer uma maratona na Primavera vou considerar sériamente escolher ir a Madrid. Aos preços que estão hoje em dia as viagens de avião o custo de ir a uma maratona a Madrid pouco mais é que o que se gasta em ir correr a Lisboa.

Cumprido o desabafo tenho a dizer-vos que os meus herois na corrida não são os vencedores, grandes atletas e por quem tenho o maior respeito, mas os deficientes. Já estou acostumado a ver atletas de cadeira de rodas a fazer a maratona e desta vez lá estavam outra vez. A correr os 42 195 metros estava também um deficiente com uma perna artificial. A força interior destes atletas é um exemplo para todos.
publicado por maratonista às 11:58
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