Quinta-feira, 14 de Abril de 2005

Coisas de nomes

Esta coisa dos nomes das coisas tem que se lhe diga e coisas engraçadas. As castas de vinho portuguesas estão bem definidas mas às vezes há coisas engraçadas dervadas do facto de a mesma casta mudar de nome consoante a região. O vinho branco Terras d'el Rei, da Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz, é composto por quatro castas e uma delas dá pelo nome de Manteúdo. É verdade, género masculino. Minha gente, juro-vos, eu gostava de ter ouvido a conversa, ou discussão, que deu origem a este nome.
É pá, é pá, espera aí. Eu ate já estou a imaginar uma situação e uma frase.
A mulher chega a casa depois do trabalho; o marido, desempregado e que ficou em casa todo o dia sem nada para fazer, está esparramado no sofá a ver futebol na televisão. Ela, pousando os sacos das compras, diz-lhe:
- Querido podias ajudar a fazer-me o jantar?
- Estou a ver futebol, não tenho tempo, diz ele.
- Está bem, diz ela. Olha deixa-me levar-te uma garrafa de Terras d'el Rei branco. Tem uma casta que vai muito bem contigo.
publicado por maratonista às 20:29
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2005

Maratona

Do jornal Público de ontem vem a notícia que começou, no fim-de-semana passado, a Maratona das Areias no deserto do Sara, Marrocos. Um destes anos perco o amor aos 4.000 euros do custo e faço-me a uma. Le Marathon des Sables dura 7 dias, no primeiro são 25 kms, no segundo 34 é a conta, no terceiro levas com 38 e no quarto com 80 que é para aprenderes. Ao quinto descansas que ninguém é de ferro e no sexto são 42 kms. Para acabar, o sétimo dia: corre-se 22 kms. Contas feitas são 243 kms numa semana. Temperaturas: de noite 0 graus e de dia chega aos 50. Um evento desportivo para lunáticos? Naaaaa. Apenas um passeiozinho no areal com uns banhos de sol.
Por enquanto vou-me contentando em fazer uma ou outra maratona em Portugal ou em Espanha, na zona raiana. E Domingo lá estarei em Lisboa para correr a "Lisbon Carlos Lopes Gold Marathon". Enfim, os 42 195 metros do costume com partida no topo do Parque Eduardo VII e chegada junto ao Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Espero que o vento não sopre forte; eu sei que é para todos mas os gajos com 1,80 m. como eu, quando sopra vento forte, estão feitos.
publicado por maratonista às 15:05
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Terça-feira, 12 de Abril de 2005

Falando de música

Falando da grande música, fonte de paixão desde a juventude, é interessante ver como os gostos variam ao longo da idade. Se na juventude Beethoven e Mozart pontificavam, no início da idade adulta acresceitei-lhe Wagner (aquele Pilgrims Choros da opera "Tannhäuser" inda hoje me provoca arrepios). Com o passar dos anos Johann Sebastian Bach brilhou como único sol; o deus da melodia - chamou-lhe Beethoven (percebem agora o "pontificavam"). Inicialmente essa extraordinária "Tocata e Fuga em D minor" que me fez passar a adorar os orgãos de igreja, depois os Concertos de Brandeburgo que ainda hoje eram os tais discos que eu levaria para uma ilha deserta.
Entretanto vieram os "enta" e o facto é que algo muda na alma da gente. Bach continua a ser um deus, mas cada vez menos omnipresente. E descobri a música russa, com uma alma tão próxima da alma portuguesa. Primeiro Tchaikovsky à boleia do seu ultra-romantismo e depois Rimsky-Korsakov, cujo tema Scheherazade Symphonic Suite After "1001 Nights" é uma maravilha com aquelas sonoridades orientais.
publicado por maratonista às 20:35
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Uma curiosidade

Existiu em tempos na cidade em que vivo, Braga, debaixo das arcadas do edifício assim chamado, sito na Avenida Central, um alfarrabista popular. Encostada a uma coluna ficava aberta uma enorme mala apoiada em dois tripés e no seu interior, agrupados por temas, dezenas e dezenas de livros a preços baixos. Foi lá que comece a minha coleção de livros de ficção ciêntifica, de que era consumidor compulsivo. De vez em quando lá aparecia um ou outro livro, fora do tema habitual, que me levava a comprar só pela interesse e paixãoque os livros me provocam. É o caso deste que vos trago. Velho, com os cantos já um pouco carcomidos, a encadernação em couro e de uma maneira geral as folhas todas a revelarem que estiveram em contacto com a humidade, foi impresso em 1764 na Oficina de Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Ofício. É um livro de sermões que foram originalmente pregados a Luis XV e alguns também a Luiz XIV. Seguindo-se ao Prologo oa textos das licenças do Santo Ofício, Do Ordinário e do Paço. Deixo-vos a primeira página impressa, o frontispício, com a grafia original:


SERMÕES
DO ILL.mo E REV.mo
JOÃO BAPTISTA
MASSILLON,
Bifpo de Clermont,


Da Congregação do Oratorio, e hum
dos quarenta da Academia
Franceza,


Traduzidos em Portuguez.


TOMO IV


PEQUENA QUARESMA.


L I S B O A,


Na Officina de Miguel Manefcal da
Costa, Impreffor do S. Officio


Anno M. DCC. LXIV.
Com todas as licenças neceffarias, e Privileg. Real

publicado por maratonista às 10:52
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2005

apontamentos

A reter da secção Estante do Jornal de Letras:
A Desobediência Civil, Defesa de John Brown – de Henry David Thoreau. “A prisão é o único lugar onde um homem livre e justo pode morar com honra”.
Renée Pálagie, Marquesa de Sade – de Gérard Badou. Uma biografia de uma mulher até agora totalmente na sombra.
Ler Lolita em Teerão – de Azar Nafisi. “Ali, naquela sala de estar, redescobrimos que tambem eramos ser humanos e, por muito repressivo que o Estado fosse, por muito intimidadas e assustadas que estivésemos, tal como Lolita, tentávamos escapar e cria as nossas bolhas de liberdade”.
E Depois, Pronto – de Clara Pinto Correia. “Aquela ditadura antiga, a que veio abaixo ao som da terra da fraternidade, poderá ter mergulhado para o fundo do subconsciente colectivo por forma a deixar de estar à vista, mas na realidade nunca chegou a desaparecer completamente.”
publicado por maratonista às 16:38
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Por falar de economia

Aos Domingos, depois do treino matinal e enquanto espero a hora do almoço chegar, ponho-me a ler o suplemento Economia & Internacional do jornal Expresso. Um dos artigos que não perco é aquele que trata o perfil de gestores de diversas áreas da nossa economia, normalmente licenciados em boas universidades e com MBA ou outra coisa do género, pessoas com moradias em sítios muito "in", BMW série 7, casa de férias. Uma ou outra vez alguém no início de carreira ainda com carro utilitário e apartamento. Ontem a personalidade era outra. Conceição Pinhão, à frente de um grupo de trabalhadores, impediu que os patrões alemães, a coberto da noite, levassem, sem aviso prévio, tecidos e máquinas para a República Checa. Avançou, quase sem reflectir, para um processo de autogestão. Nesta altura a gerir a fábrica esta mulher que tem como habilitações apenas o curso comercial consegue ter a empresa a laborar a 90%. Esta mulher de 43 anos que considera-se "apenas uma trabalhadora com responsabilidades especiais", demonstrou que lutar vale a pena e que é possível "sobreviver" à globalização.
publicado por maratonista às 10:17
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2005

García Masquez

Ora bem, vamos a isto que o prometido é devido. O livro de Gabriel Garcia Marquez, Memória das minhas putas tristes (Em português soa a linguagem de taberna mas em castelhano soa muito melhor) é uma estória que fala de uma descoberta. Contada na primeira pessoa mas sem nunca se saber o nome da personagem (fui agora folhear o livro a ver se encontrava o nome mas nada), apenas a sua génese. Um velho que faz 90 anos e decide oferecer a si mesmo uma noite de amor louca com uma adolescente virgem. E o que é que acontece? Apaixona-se irremediavelmente. Mas é que lhe dá forte. Não vou contar a estória, descansem, vou só falar sobre ela.
Do ponto de vista psicológico é clássico, ou parece. A negação da velhice e da morte na procura de um corpo jovem. Clássico não é? Mas quem escreve chama-se Garcia Marquez, prémio nobel da literatura, e aqueles meninos da fundação do Alfredo não costumam enganar-se na excelência. Ou será Garcia Marquez a brincar um pouco com a sua própria velhice? Este velho que escreve cartas de amor (Pois! ele escreve num jornal) e é considerado um ícone cultural, poderá ser considerado um Petrarca que encontrou, finalmente, a sua Laura? (a propósito: está a passar o aniversário da morte daquela que foi a grande musa de Petrarca).
Este homem que aos 90 anos descobre “o prazer inverosímil de contemplar o corpo de uma mulher adormecida sem as pressas do desejo ou os entraves do pudor” é uma visão da decadência? Não sei, não sei, creio que me falta alguma bagagem técnica para escrever sobre literatura a este nível.
Mas…
Este homem chega aos 90 anos sem nunca se ter apaixonado, o que faz dele uma pessoa triste e com medo de sentir (não são as putativas que são tristes, apesar de “femmes du métier”, mas ele). Condição masculina na decadência?
Resta-nos a exclamação de Rosa Cabarcas, “Madame” da casa onde ele se acolhia, perante uma cena de ciúmes loucos:
”Meu Deus! O que não teria eu dado por um amor como este!”
publicado por maratonista às 20:00
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Um autor atrapalhado

Ontem a Lis pegou-se comigo.
- Eu não sou assim tão seca. Que raio de autor me calhou em sina.
- Homessa. Não querem lá ver. Ó rapariga tu és como és e deixa de resmungar.
Não deixo nada. Tu é que me fizeste portanto aguenta comigo. E outra coisa: trabalho, só trabalho e um romancezinho, não se arranja?
Ai minha santa paciência. Que é que queres rapariga? Fiz-te inspectora, segura do seu valor e capaz de enfrentar as maiores dificuldades, o teu trabalho é resolver casos.
Que novidade! Isso sei eu. O que eu quero é ser mais do que só Lis, a primeira inspectora criminal portuguesa. E a propósito: que seca de título. Por exemplo o que é que eu visto?
Como? O que é que vestes?
Sim. Que para uma mulher isso é importante. E outra coisa que idade é que eu tenho? Bolas, já é um problema ser mulher num mundo masculino e tu ainda me fazes sem indicações nenhumas!
Pronto, pronto. Vou corrigir isso, até porque não deixo uma mulher minha mal vista. Agora desampara-me a loja que tenho que trabalhar.
publicado por maratonista às 11:26
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2005

Um caso

O tempo foge e os desgraçados dos ponteiros do relógio não param. Por outras palavras parece que o tempo não chega para fazer tudo o que quero fazer. Às vezes apetece dizer para o relógio o que a Amália cantava para o coração "pára deixa de bater, eu não te acompanho mais". Vamos a ver se é hoje, lá para o fim do dia, que consigo "levar a carta a Garcia", Marquez. Por agora trago-vos o Público de hoje no suplemento Local, edição do norte.
Parece que os tribunais portugueses no âmbito de uma qualquer iniciativa cultural estão a tentar concorrer com Kafka. Passo a explicar:
Em 1999 um comerciante de velharias, de Olhão, fez uma fogueira sem autorização. Embora, de acordo com a GNR, não tenha havido perigo de incêndio, até porque tinha tido o cuidado de molhar a zona envolvente, foi-lhe aplicada a coima de 60 euros. Dois anos depois o tribunal penhorou 2 móveis da sua casa, por conta da coima não paga mais os juros, deixando-os à guarda do próprio. Em 2002, doente e em casa de familiares na Batalha, recebe uma notificação para entregar "no prazo de 5 dias" os armários penhorados ou "incorreria no crime de desobdiência". Só depois soube que a PSP lhe tinha arrombado a casa e levado os móveis. Mas mesmo assim foi condenado a pagar 135 euros, em 2004, por crime de desobdiência. Uma vez que vivia da pensão de invalidez, no valor de 258.12 euros, mora num bairro social com a mulher e uma filha menor, a mulher tem que recorrer à sopa dos pobres para alimentar a familia, pediu para pagar em prestações de 15 ou 20 euros. Mas o tribunal não aceitou por o pagamento fraccionado "não pode ser autorizado em moldes que, na prática, descaracterizem a pena e as suas finalidades". Como o arguido não cumpriu e "não lhe são conhecidos bens ou rendimentos que permitam a cobrança coerciva da multa", justificou a juiza no seu despacho, o tribunal condenou o arguido em 30 dias de prisão. Portanto o sr. Joaquim Seco, inválido, com problemas cárdio-respiratórios, quase cego, vai ter que passar 30 dias na "pildra" por ter feito um afogueira sem autorização, e sem perigo, à 6 anos atrás. Isto está lindo, está.
PS. Um obrigado ao jornalista Idálio Revez por trazer este caso a público.
publicado por maratonista às 09:59
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2005

Breves apontamentos

Espero, até ao final do dia, postar algo (finalmente) sobre Garcia Márquez e o seu livro. Até lá breves apontamentos diários:
Eduardo Prado Coelho, no jornal Público de hoje, sobre a sageza de António Mega Ferreira: “Ser político pode ser um prazer (veja-se Soares), mas tem inúmeras servidões e constragimentos. E o cerco mediático acaba por ser sufocante.”
Ainda no Público de hoje a notícia de que os New Order vão estar pela primeira vez em Portugal no festival Super Bock Super Rock. Quem vibrou com eles, Joy Division sem Ian Curtis, tem uma oportunidade de os ver ao vivo.
Série televisiva que eu não perco diáriamente é Doido por ti, na Sic Mulher às 20H30, o episódio de ontem foi um espectáculo.
publicado por maratonista às 10:43
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