Segunda-feira, 16 de Maio de 2005

Da EPICUR nº 48

Uma revista que compro desde que saiu é a EPICUR. Uma preciosidade neste mundo editorial português, pelo menos para aqueles, como eu, que pensam que o prazer é uma necessidade basica do ser humano. O nº 48 está aí, nas bancas. De entrada o editorial de Alfredo Saramago a falar de Roma; de cafés, de restaurantes e outros lugares de Roma. E fico a saber que na Praça de Espanha, em Roma, existe o Antico Caffé Greco, que teve como clientes habituais Stendhal, Goethe (que ali se encontrava com os amigos Wagner, Gogol, Lizt,Mendelssohn ou Baudelaire), Byron, Keats e por aqui se fica. Quer-se dizer: um sítio imperdível da próxima vez que se for a Roma (junto com outros de que fala o editorial).
Nesta mesma revista Eduardo Miragaia (as suas crónicas "a bater" na secção PURO E DURO sao um mimo) fala-nos de mestre Reinaldo Mendonça que no estuário do Sado tem uma empresa de ostraicultura. Estas ostras são consideradas pelos franceses como "das melhores do planeta". Aqui consegue-se extrair-se duas produções anuais de ostras com tamanho comercial enquanto em França só ao fim de 24 meses, nos melhores períodos, o tamanho é atingido. E, a não esquecer, que as ostras foram equiparadas, por alguns autores, ao valor alimentar do leite materno.
publicado por maratonista às 20:37
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2005

Fim de dia

Fim de dia.
Fim da semana de trabalho.
Cansaço. Não o físico mas o anímico. O que nos roi está no coração que o físico aguenta.
Opção 1:
Vestir uns calções e T-shirt, calçar uns sapatos de treino e fazer-me à estrada. Just do it.
Opção 2:
Sentar-me ao balcão da Portugália, pedir 150 gramas de gambas e duas cervejas. Toca a enfardar.
Com uns olhos femininos a rirem-se para os meus eu nem pensaria duas vezes, seria o que ela quizesse.
Assim...é o momento que decide.
publicado por maratonista às 20:01
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MÍNIA (parte 2)

E agora passemos a "Do uso e significado das alcunhas na freguesia de Castro Laboreiro" de Luís Polanah
Estudo efectuado na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês integrado nas linhas de acçaõ do Centro de Desenvolvimento Regional da Universidade do Minho
Resumo:
As famílias da freguesia de Castro Laboreiro são na sua esmagadora parte conhecidas por epítetos ou alcunhos, como o natural designa essa curiosa faceta com que identificam indivíduos e famílias. A originalidade deste estudo reside do carácter da abordagem como um sistema de referências cognitivas dos indivíduos - e neste sentido se tenta explicar a sua génese, função e significado no conjunto das famílias que formam o mapa onomástico da comunidade.

Alguns alcunhos curiosos:
Bispos - Gonçalves e Alves
Carrapiços - Bernardo e Esteves
Chabarrigas - Domingues
Catalinos - Sousa
Os do Curro - Esteves
Futelhas - Rodrigues
Ganhões ou Ganhas - Fernandes e Esteves
Lisboa - Gonçalves
Metralhetas - Fernandes
Racha-Fragas - Esteves
Os do Teso - Domingues
Xastres - Gonçalves
Xico (ou Chico) da Ana Maria - Domingues

O estudo é muito interessante pois trás a genealogia dos alcunhos junto com um Sistema de Símbolos Onomáticos e dois diagramas com a interpretação do parentesco dentro de uma família.
Em postfácio o artigo trás ainda excertos de um "precioso opúsculo" de Abel Viana da primeira metade do século XX intitulado Linguagem Popular do Alto Minho - Viana do Castelo, 1932. Deixo-vos, para acabar, duas frases:
"Em todas as aldeias do Alto-Minho abundam as alcunhas, e de tal maneira imperam
nalgumas delas que, pode dizer-se, há terrinha onde é inútil perguntar por alguém pelo nome verdadeiro; ninguém conhecerá a pessoa que se procura, se nãose invocar a alcunha. Ela cola-se a todos os indivíduos, sem distinção de sexo, de idade ou de função social."
A maior parte das vezes a alcunha visa ridicularizar o indivíduo, outras, porém, é imposta pela conveniência de fixar melhor a personalidade de alguém, pela substituição do nome legal por outro mais breve e inconfundível, ou pela necessidade de destrinçar pessoas homónimas."

publicado por maratonista às 08:57
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

MÍNIA

Fui ao armário e debaixo de um molhe de livros encontrei os três primeiros números da MÍNIA datados de Julho e Dezembro de 1978 e Novembro de 1979. Esta revista era da responsabilidade da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural) que a editava e da qual era sua propriedade. A composição e impressão eram da Livraria Editora Pax, Lda (infelizmente já desaparecida). As tiragens eram de 750 exemplares e os preços eram de 120, 150 e 160 escudos. Edições subsidiadas pela Assembleia Distrital de Braga. Em nota de apresentação ao nº 1 é referido que esta revista já tinha existido décadas antes (primeiro número em 1944) com o mesmo fito: combater a inércia e o entorpecimento acerca do passado étnico,histórico e artístico da região.
No nº 1 desta 2ª série há artigos como "Os restauros do sarcófago de S. Martinho de Dume", "O feito dos alcaides de Faria", "Rifoneiro Nobiliárquico" ou "Do uso e significado das alcunhas na freguesia de Castro Laboreiro".

O que vos vou trazer são dois artigos: o "Rifoneiro Nobiliárquico" e "Do uso e significado das alcunhas na freguesia de Castro Laboreiro". O termo rifoneiro (procurei o significado no Houaiss e não existia mas no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado sim) é o mesmo que refraneiro e diz respeito a rifões( o m. q. refrãos). O texto é uma maravilha, da autoria de Manuel Artur Norton, e eu deixo-vos alguns rifões que, julgo, irão gostar:

DO PODER
Queres conhecer o vilão? Mete-lhe a vara na mão.
Em pessoa de ceptro, não há vício secreto.
Qual o rei, tal a lei. Qual a lei, tal a grei.
Quem não sabe fingir não sabe reinar.

DA LINHAGIA
Algum dia fomos gente.
Em longa geração, há conde e há ladrão.
Pai rico, filho nobre, neto pobre.
O rei faz fidalgos, mas não dá fidalguia.
Todos os fidalgos são primos.

DAS FAMILIAS
Ainda no Porto não havia cães, e já havia homens em Atães.
Os Albuquerques de Fornes deAlgôdres são como os patacos, cunhados de ambos os lados.
Comem milho os pardais? A culpa é dos Cabrais.

DO COMPORTAMENTO SOCIAL
Brasão em burguês é asno em poltrona.
Fidalgos de meia tigela trazem a honra na ponta do nariz.
Porta de fidalgos, mijadeiro de cães.
Os reis quanto mais perdoam mais reis são.
Vinho, do sítio e gente, de qualidade. (do Alto Douro)

DO COMPORTAMENTO ECONÓMICO
Quem a vaca de el Rei come magra, gorda a paga.
O que engorda o fidalgo emarece a bolsa.

publicado por maratonista às 09:33
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2005

Para já

Estou a trabalhar desde o início da semana num posto baseado em dois artigos da revista MINIA e a cousa saiu longa. Vou ter que dividir por dois postos. É possível que o achem pesado mas achei interessante. É só cultura carago. Amanhã, se possivel de manhã, sai o primeiro.
publicado por maratonista às 19:57
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Em conversa no Olimpo

Ao virar da esquina da rua azul com a rua amarela (no Olimpo as ruas só têm nomes de cores, as avenidas nomes de pedras preciosas e os largos nomes de boboletas) existe um restaurante com uma esplanada que tem como cobertura uma vinha antiga. Os troncos das vides sobem abraçando pequenas colunas feitas de granito e os seus ramos espalham-se por cima do referido espaço ocupado por mesas de pedra servidas por bancos compridos, também eles em pedra. Sentados a uma dessas mesas, no meio de uma “patuscada”, e em alegre discussão estão o José Cardoso Pires, o Alexandre O’neill e o Fernando Assis Pacheco. O assunto era futebol, obviamente. E o Zé Cardoso pegando no jarro de vinho e enchendo o copo do Fernando Assis disse:
- Olhem vem ali o Perestrelo, é ele que vai decidir a RIPA NA RAPAQUECA.

publicado por maratonista às 10:25
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2005

É pá, chatices.

Não sei porque razão mas há firmas a fazer publicidade nos comentários de artigos antigos do meu blogue. O que me chateia porque vai acabar por tornar o blogue mais pesado. Espero que parem ou serei obrigado a tomar medidas.

Mas não era sobre isto que eu queria postar mas sim acerca de um email que recebi.
Alguém que se assina oPILAdeGRILO mandou-me um manifesto anti-feminino no qual para além de alarvidades costumeiras nos machistas (que como é sabido são os que estão mais mentalmente próximos dos homosexuais) vem com um discurso pseudo-intelectual e pseudo-científico de autojustificação.
Começa a ser um problema por resolver,a questão dos direitos femininos, é que, como escreve no Jornal de Letras a Maria João Martins "Se hoje as atitudes discriminatórias passam mais (pelo menos no Ocidente) por actos ocultos nas dobras da linguagem e da vida de todos os dias, o tom justo para a sua denúncia terá de ser o da veemência. Este (estes) indivíduos que provocatóriamente se autoentitulam pilasdegrilo (sim porque se o discurso é machista, ao adoptar este nome estão a tentar dar uma aparência de inteligentes) querem que a muher volte a ter o estatuto de propriedade, ou do pai ou do marido. Por outras palavras uma não-pessoa.

Não me vou alongar muito. Ó rapaz, deixa-me fazer-te uma pergunta:
Tu sentes-te assim tão vexado e pequeno diante de uma mulher? Vai é tratar-te.

publicado por maratonista às 19:43
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Sorriso de bebé

Até ao final do dia vai aparecer um posto a bater forte e feio. Para já apenas que o noticiário da uma da tarde da RTP 1 salvou o meu sábado. Chateado como estava vejo às tantas uma reportagem sobre uma unidade de tratamento de bebés muito prematuros (creio que com 500 gramas), a câmara foca um bebé a dormir numa incubadora e ele tem um sorriso, devia estar a ter um sonho bonito.
publicado por maratonista às 09:59
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2005

Ao correr da pena de João Bénard da Costa

Em rescaldo de mais uma noite europeia os parabéns ao Sporting.
Às sextas, por vezes, aqui vos falo de João Benard da Costa. Por culpa da Casa Encantada. Esta sexta o jornal Público trás mais um daqueles artigos imperdíveis de JBC, Alfreda e os túneis. Para começar fico a saber que, tal como a mim me aconteceu, também JBC leu o Thérèse Raquin de Zola na juventude. Mas o que eu vos trago é o artigo, ou um "cheirinho" dele para vos dar "água na boca".

"Mas, de facto, faltei porque Alfreda precisava de mim na cama dela. Só que cada um faz a cama como nela se há-de deitar e a cama da Alfreda era estreita demais paea dois. Que culpa tenho eu que quem houve falar em cama se ponha logo a acamar?"
...
"Eu, que nem sequer inventei uma cama, eu que nem sequer inventei uma coma, andei a percorrer um túnel sem achar luz no termo dele.
Do que nele encontrei, é muito cedo para falar. Mas de vez em quando sabe bem divagar ao fazer desta, sabendo que ao correr da pena se aperta o coração."

publicado por maratonista às 09:44
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

Hoje deu-me para o cinema

De vez em quando ataca-me a cinéfilia e depois sai disto:


- Será que os chapéus de chuva de Cherbourg (Les Parapluies de Cherbourg) têm saudades da Catherine Deneuve)?
- E a Fanny Ardant ainda esperará por Domingo enquanto passeia as pernas defronte da janela onde ele olha, e olha, esperando também ele por Domingo?
Harry Dean Stanton ainda vagueará pelo deserto à procura de Paris, Texas, enquanto não vai encontrar a Nastassia Kinski num confessionário sexual?
O Shane continuará a ir sem armas ao saloon, mesmo que as saiba usar melhor que ninguém?
Harrison Ford, Blade Runner pouco convicto, continuará apaixonado pela Sean Young, morena andróide, enquanto sonha com unicórnios?
E se eu hoje à noite me fosse enfeitiçar com a Catherine Deneuve e a Fanny Ardante no filme 8 Mulheres? É que ainda por cima ao filme tem Isabelle Huppert e Emmanuelle Béart.

publicado por maratonista às 19:55
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