Terça-feira, 3 de Maio de 2005

Um cego no alto da montanha

Acho que por aqui nos blogues as coisas estão um bocado paradas neste início de semana. Penso que a Primavera tem um bocado a ver com isso. Mudanças bruscas de temperatura, o corpo ressente-se e a mente vai atrás. Pela minha parte também tenho andadocom muito trabalho mas isso não me afecta. Antes muito trabalho que pouco e chato.

Mas isto não era o post.

De vez em quando aqui vos trago histórias do atletismo, coisas que se passaram comigo ou com outros corredores que conheço, e hoje uma mais vos deixo.

O tempo? para aí à uns 16/18 anos. Havia um percurso de estrada, de cerca de 22 kms, que já tinha feito duas ou três vezes. Daquela vez treinei com o João "da Grundig" (o nome vinha de trabalhar na fábrica da dita cuja e para diferenciar de outro que era conhecido como "da caixa") e ele não conhecia o percurso. Quando viramos para uma subida e eu lhe disse que iriamos passar pela freguesia de Oliveira Sta. Maria ele contou que tinha ouvido falar que nessa freguesia existia um cego que ganhava a vida a partir lenha. Havia pessoas da freguesia e arredores, para o ajudar, preferiam comprar-lhe lenha. Confesso que quando ouvi tive algumas dúvidas e o próprio camarada de treino dizia que só tinha ouvido dizer. Mas quando entramos na freguesia, numa estrada tipica e montanha, vimos um homem a partir lenha num pequeno campo próximo da estada. Fomos reduzindo a velocidade ao passar pelo sítio e reparamos que realmente o homemera cego. Pegava em pedaços de troco grossos ao lado do cepo, punha-os em cima do cepo, com uma mão guiava a lâmina do machado até ao centro e dava um pequeno golpe que fixava o machado no tronco. Depois era só pegar no cabo do machado e ir batendo no cepo com o conjunto tronco-machado até rachar o tronco.

Estes momentos em que temos a visão real de alguém que na adversidade ultrapassa os limites do incrível são-me particularmente caros.

publicado por maratonista às 20:32
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2005

Pérolas

Se bem me lembro (Desculpa lá ó Nemésio mas aqueles serões televisivos ficaram-me na memória) havia um livro, que li à um ror de anos, em que um pai babado punha em letra de imprensa as frases do filhote mais novo e inocente e a que chamava pérolas. O termo é jeitoso e eu aproveito-o para aplicar aqueles pequenos textos, por vezes poemas, que, apesar do seu pequeno tamanho, me parecem merecer destaque. Já aqui citei antes vários autores (um dia destes ainda me fazem cabo de forcados) e penso que vai sendo altura desta "tasca" começar a ter alguma ordem (por acaso esta palavra provoca-me alguma incomodidade, mas... enfim). Este tipo de postos irá ter como título Pérolas. E para começar: o Jornal de Letras, presente edição, trás como tema principal Gonçalo M. Tavares. Entrevista, pré-publicação, inéditos, étc. Deixo-vos esta pérola:

Era uma mulher voluptuosa, mas muito sensível. Escrevia poemas e guardava-os no sempre emocionante espaço que existe entre um seio e outro.
Alguns homens não a largavam à procura de inéditos.

publicado por maratonista às 19:58
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O caso do Telmo

Quando Telmo começou a sua carreira desportista, muito jovem ainda, tinha esperanças de vir a ser um nome conhecido no campo do ténis. Vem o primeiro embate e é despachado com uma pesada derrota: 3-0 (6-0; 6-0; 6-0). Não desistindo Telmo volta à carga no torneio seguinte e a história repete-se, 3-0 (6-0; 6-0; 6-0). E assim vai acontecendo, torneio após torneio perde sempre o primeiro jogo por parciais de 6-0; 6-0; 6-0 e começa a ser conhecico como “the one game boy” que passados alguns anos se torna em “one game men”. Tem uma legião de fans que o segue em todos os torneios vestidos sempre da mesma maneira: calças de ganga vermelhas, camisa amarelo-berrante e um chapéu de palha com rolhas de cortiça penduradas por fios de pesca. Mal ele entra em campo soltam o grito de guerra do clã, OGM-OGM-OGM.
Passaram-se os anos e Telmo decide-se pelo fim da carreira como tenista profissional. Na entrevista antes do último jogo ele mostra-se confiante de que manteria o seu recorde até ao fim e que se retiraria como um verdadeiro “one game man”. No primeiro set, quando estava a perder por 4-0 o adversário escorrega e parte uma perna. Da reunião de juizes, e perante o choro convulsivo dos fans, veio a decisão: Telmo vencia a partida por desistência do adversário. Na conferência de imprensa Telmo era um homem derrotado e sem esconder as lágrimas um grito saiu-lhe dos lábios: Eu não merecia acabar a minha carreira assim!
publicado por maratonista às 10:05
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