Sexta-feira, 7 de Abril de 2006

Bob Dylan



Para além do livro de Walt Whitman (ainda vos hei-de trazer aqui outro poema dele) ando a ler também um livro que comprei na quarta-feira passada, Crónicas – volume I de Bob Dylan. Para além de gostar imenso da sua música considero que é dos maiores poetas norte-americanos da segunda metade do séc. XX (outro poeta-músico de que gosto muito é Tom  Waits). Comprei o livro para ver como é que ele se saía na prosa e estou a gostar muito da maneira como escreve. Em tom ao mesmo tempo coloquial e intimista estas crónicas quase se podiam considerar um diário, deixo aqui um pequeno excerto:

“Tinha escrito e gravado muitas canções mas não andava a tocar a maior parte delas. Acho que me limitei a umas vinte, mais coisa menos coisa. As restantes eram demasiado enigmáticas, conduzidas de um modo bastante obscuro, e eu já não era capaz de fazer coisa alguma radicalmente criativa com elas. Era como carregar um pesado embrulho de carne a apodrecer. Não conseguia entender de onde elas vinham. O brilho desaparecera e o fósforo ardera até ao fim. Eu andava ao sabor do vento. Por mais que me esforçasse, os motores não arrancavam.”


publicado por maratonista às 16:25
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Walt Whitman

Tenho nas minhas mãos o livro de poesia de Walt Whitman (1819-1892) de seu nome Folhas de Erva, edição recente do Círculo de Leitores. As referências que eu tenho deste poeta vêm sobretudo de livros e jornais, para além de Fernando Pessoa lhe ter dedicado um poema. Considerado o mais importante poeta norte-americano e um dos principais poetas da modernidade Whitman publicou apenas um único volume de poesia que era aumentado ao longo dos anos e ao ritmo de cada nova edição. Deixo-vos aqui um conhecido poema dele:

Ó Capitão! Meu Capitão!

Ó capitão! meu capitão! terminou a nossa terrível viagem,
O navio resistiu a todas as tormentas, o prémio que buscávamos
                 está ganho,
O porto está próximo, oiço os sinos, toda a gente está exultante,
Enquanto seguem com os olhos a firme quilha, o ameaçador e
                 temerário navio;
   Mas, oh coração! coração! coração!
      Oh as gotas vermelhas e sangrentas,
         Onde no convés o meu capitão jaz,
            Tombado, frio e morto.


Ó capitão! meu capitão! ergue-te e ouve os sinos;
Ergue-te, a bandeira agita-se por ti, o cornetim vibra por ti;
Para ti ramos de flores e grinaldas guarnecidas com fitas, para ti
                 as multidões nas praias,
Chamam por ti, as massas agitam-se, os seus rostos ansiosos voltam-se;
   Aqui capitão! querido pai!
     Passo o braço por baixo da tua cabeça!
       Não passa de um sonho que, no convés,
         Tenhas tombado frio e morto.
 

O meu capitão não responde, os seus lábios estão pálidos e
                 imóveis,
O meu pai não sente o meu braço, não tem pulso nem vontade,
O navio ancorou são e salvo, a viagem terminou e está concluída,
O navio vitorioso chega da terrível viagem com o objectivo ganho:
   Exultai, ó praias, e tocai, ó sinos!
     Mas eu com um passo desolado,
       Caminho no convés onde o meu capitão jaz,
         Tombado, frio e morto.

publicado por maratonista às 19:36
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curiosidade

Uma curiosidade apenas.
Quando passarem 2 minutos das 3 da manhã do dia 4 de Maio os relógios digitais marcarão: 01-02-03-04-05-06.
publicado por maratonista às 10:11
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Isto está lindo, está.

Hoje no jornal Público António Vilarigues, consultor de sistemas de informação, conta esta história, fruto de cumplicidades múltiplas de diversas forças partidárias:

É uma câmara de um concelho com pouco mais de 8500 habitantes e isto passa-se neste século XXI. Tomada de posse de novo elenco camarário. Gabinete do ex-presidente. Dossiers vazios. Computador com o disco limpo de dados. Em cima da mesa um pistola. Ao lado um carregador com as respectivas balas. Ao centro da secretária um afolha em branco e uma esferográfica.

Poucos minutos passados e toca o telefone. Ameaça de corte de energia por não pagamento das respectivas facturas.

E A.V. pergunta: Espantado? Estupefacto? Não se levante.

E continua.

Nos últimos 30 anos os habitantes do concelho têm muito que contar.

A câmara promoveu a construção de instalações para uma escola profissional. Passado pouco tempo as mesmas passam para uma fundação ligada ao presidente da edilidade. Escusado será dizer que a escola está fechada sem cursos e sem alunos.

Sucessivos presidentes, certamente com o fruto das suas poupanças, ampliaram largamente o seu (deles) património imobiliário.

E A.V. pergunta: De boca aberta? Incrédulo? Prepare-se que há mais.

O orçamento anual é de 8 milhões de euros. A dívida herdada ascende aos 22,5 milhões e as obrigações financeiras de curto prazo são de 5 milhões.

A empresa municipal é detentora de, por exemplo, uma loja em Lisboa num centro comercial e a câmara possui um hotel de cinco estrelas completamente remodelado a expensas dos munícipes. Só que está encerrado. De caminho foi concedendo a exploração de uma pedreira dentro da área de influência de instalações termais. Deve ser novo tipo de tratamento médico.

Desde Outubro, a nova vereação já desactivou mais de sete centenas de postos de iluminação pública considerados supérfluos. Ao que nos dizem, muitos limitavam-se a iluminar pinheiros.

E o problema é que isto passa-se em muitas autarquias e até aqui ainda não vi ninguém a ir para o chilindró por causa do que fazem com os dinheiros públicos.

publicado por maratonista às 10:57
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