Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

uma saída genial de Mário Viegas

Na sua crónica dominical no jornal Público (A Casa Encantada), João Bénard da Costa conta uma fabulosa saída de Mário Viegas a quem um médico confidenciava com ar de muito bom amigo: "Tenho pena de não o ver nos palcos. Mas sabe, ao teatro, só vou em Londres." Com idêntica cordialidade, Mário Viegas respondeu-lhe: "Como eu o percebo! Eu, quando me cheira a doença grave, só descanso quando me entrego nas mãos de um médico inglês."

(é caso para dizer: toma e embrulha)
publicado por maratonista às 16:15
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

grandes vigaristas

    Sempre tive uma grande admiração pelos grandes vigaristas. Não estou a falar de políticos, esses são vigaristas pura e simplesmente, nem daqueles fulanos que aproveitando-se dos lugares que ocupam fazem um qualquer tipo de vigarice. Estou a falar daqueles individuos que têm grandes capacidades de invenção e efabulação, e delas se aproveitam para enganar o seu semelhante. Sei que não é bonito ou aceitável, mas de qualquer maneira têm a minha admiração pelo seu génio. Tivemos um caso desses aqui em Portugal nos principios do séc. XX e o seu nome era Alves dos Reis mas noutros países há-os em maior número. A Scotland Yard já perdeu a conta ao número de vezes que a coluna de Nelson foi vendida mas o caso que mais me impressionou foi o da venda da Torre Eifel. O caso passou-se, se não estou em erro, nos anos 50 do século passado e foi o que se segue:
    Francois (nome fictício), comerciante abastado da província, chaga a Paris para a sua primeira visita à capital. Hospeda-se e vai dar uma volta para ver os monumentos, obviamente a Torre Eifel é um dos lugares de visita. Está cá em baixo a admirar o monumento quando ao lado dele se posta um cavalheiro bem vestido que mete conversa com ele.
- É um belo monumento não é?
- É. Faz-nos sentir orgulhosos de ter sido criada por um francês.
- É verdade, é um orgulho...é pena termos de a vender ao estrangeiro.
-!!Perdão!!
- Sabe como é...à desculpe, não me apresentei. Chamo-me Pierre D. (nome fictício), sou ministro da républica para os monumentos.
    Apertam as mãos e o vigarista continua:
- Com o esforço para reconstruir o país depois da guerra os cofres da républica estão vazios. Já nem temos dinheiro para manter todos os monumentos. Portanto temos que vender alguns. Aqui a torre deverá ser vendida aos americanos.
- Não é possível! Alguma coisa tem de se arranjar para evitar isso!
- Não vejo como. Temos de a vender por 10 milhões de francos antigos e não vejo mais nenhuma solução.
- Espere aí. Eu vou já ter com alguns amigos da minha zona e juntamos isso com facilidade. Daqui a um mês venho cá com o dinheiro e a torre fica em Paris.
- Não virá a tempo. Temos que ter 2 milhões para a semana, como lhe disse os cofres estão vazios.
- Não há problema, essa quantia tenho eu no banco. Vamos lá e dou-lhe de adiantamento os 2 milhões ficando o resto para daqui a um mês.
    Está-se mesmo a ver o que aconteceu, não é verdade. O comerciante entregou os 2 milhões a troco de um papel assinado e quando voltou no mês seguinte é que a polícia lhe explicou que tinha sido ludibriado.
    Enfim, um vigarista com classe.
publicado por maratonista às 13:43
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

Johnny [da Costa] Guitar

    Nesta caso todo à volta da demissão, ou não, de João Bénard da Costa de director da Cinemateca, terçaram armas por ele várias pessoas bem mais competentes e com mais conhecimento de causa que a minha modesta pessoa tem. No entanto, admirador do trabalho que tem feito na divulgação da 7ª arte e também do que escreve,  (quem por aqui tem passado ao longo da existência deste blogue já leu vários postos acerca da coluna que ele escreve no jornal Público), seu devedor por me ter ensinado a olhar de outras maneiras, não posso deixar passar ao lado esta guerra. Chamo--lhe guerra porque notei vários movimentos subterrâneos, várias tomadas de posição, que visam, certamente, embates futuros.
    No jornal Público de hoje Nuno Galvão Teles, advogado, numa longa carta, fala da polémica e trás à baila o filme preferido de Bénard da Costa – Johnny Guitar. Aliás a carta é intitulada de Johnny [da Costa] Guitar. Como ele diz “No Johnny Guitar está lá tudo, assim o Governo saiba ler e reconhecer.”. E acaba a carta com o diálogo entre Vienna e Johnny, fiquem com ele:

VIENNA – Há cinco anos apaixonei-me por um homem. Não era bom nem mau, mas…eu amava-o. Quis casar com ele, ajudá-lo a construir um futuro.
JOHNNY – Mereciam ter sido felizes…
VIENNA – Mas não foram. Separaram-se. Ele não se via “amarrado” a um lar.
JOHNNY – Felizmente ela foi esperta e livrou-se dele.
VIENNA – Claro que foi. Aprendeu, daí em diante, a não se apaixonar por ninguém.
JOHNNY – Foi há tanto tempo…Com certeza que, entretanto, na sua vida houve outros homens.
VIENNA – Os suficientes.
JOHNNY – O que aconteceria se esse homem voltasse?
VIENNA – Quando um fogo se apaga, o único que resta são cinzas.
JOHNNY – Quantos homens já esqueceste?
VIENNA – Tantos quantos as mulheres de quem te lembras.
JOHNNY – Não me deixes.
VIENNA – Ainda aqui estou.
JOHNNY – Diz-me qualquer coisa bonita.
VIENNA – Que queres que eu te diga?
JOHNNY – Mente-me. Diz-me que esperaste por mim todos estes anos.
VIENNA – Todos estes anos esperei por ti.
JOHNNY – Diz-me que morrerias se eu não tivesse voltado.
VIENNA – Tinha morrido se não tivesses voltado.
JOHNNY – Diz-me que me amas como sempre te amei.
VIENNA – Amo-te como sempre te amei.

 

(agora digam-me se isto não é sublime)

publicado por maratonista às 10:53
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006

(se um dia você vier...)

No meio do monte de livros, revistas, fotocópias e imensas outras coisas que atulham as estantes (e outros lugares onde pousar) do meu quarto, encontrei duas pastas com coisas que escrevi quando estava nos vinte e poucos anos. Este poema é engraçado. Escrito, como se percebe, a partir de uma canção de Vinicius de Morais, revela alguma ingenuidade.

 

(SE UM DIA VOCÊ VIER…)

 

Se um dia você vier
e me encontrar calado
não se vá embora. Não.
Se deite a meu lado
e me cubra de pranto
como se eu não tivesse esperanças,
como se não houvesse mais luz
para iluminar esta criança.

 
E se a noite estiver fria
é do contacto com o meu corpo,
esses fantasmas que voam no ar
desaparecem com um sopro.
Deixe então correr as lágrimas
como se fossem um exorcismo
capaz de me tirar esta pose,
de me sonegar deste abismo.

 
Mas se eu não acordar
com o sal das tuas lágrimas,
vai. E volta a amar.

publicado por maratonista às 19:58
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