Terça-feira, 22 de Março de 2005

Lis, a primeira inspectora criminal portuguesa (II)

Com dois dias no cargo, Lis já tinha um panorama geral dos seus colegas. Havia a malta da tarimba, velhos inspectores não licenciados que tinha subido desde os postos mais baixos e conheciam toda a espécie de fauna que habitava a noite escura. Haviam aqueles que adoptavam atitudes estudadas dando-se ares de personagens de contos políciais. Normalmente licenciados, gostavam muito de “botar faladura” mas na realidade tinham uma cultura geral bastante baixa. Muito tinha Lis rido para dentro quando um fulano, que tinha tiques de Hercules Poirot, disse de determinada igreja de estilo românico que os romanos construiam as coisas para durar. E depois haviam aqueles que não se enquadravam em nenhum perfil dos anteriores. Normalmente malta nova, com cursos superiores, ainda em busca de um estilo ou projecto de vida. Óbviamente tudo machismo duma ponta à outra. Excepto um velho inspector alentejano de nome Antonino , o sotaque e a maneira pausada de falar, que ele não procurava esconder, denunciava-o. Tudo o que dizia era, claramente, pensado e a sua análise das questões era muito baseada na psicologia aplicada. Teve a delicadeza, logo no primeiro dia, de me convidar para almoçar no domingo seguinte com a mulher. Como fuma cachimbo vou-lhe chamar o meu Maigret.
A meio da semana Lis sabia que tinha que tomar uma resolução acerca do primeiro caso, embora a estivesse a adiar. Aquilo doia-lhe. Tinham-lhe que atirar para as mãos aquele caso. Gaita! E ia haver barulho nos jornais que aqueles fuinhas já deviam estar em campo a farejar esta história. A queixa partira da mãe de um rapaz e constava do facto de a explicadora de matemática, com 30 anos, ter tido relações sexuais com ele durante o tempo da explicação. O rapaz, agora com 16 anos, teria 14 aquando do início da relação. Ela está feita, vai ter a vida destruida. O perfil psicológico traçado pelo psi diz que o rapaz tem uma idade mental de adulto, só que isso não leva a nada, lei é lei. No que te foste meter rapariga. Mete-se pelos olhos adentro que a mãe do rapaz está cheia de ciúmes e não quer que o seu pintaínho saía de baixo das suas asas. Ah mulher! Que raio de maneira de ser que algumas mulheres têm que acabam por ser mais machistas que muitos homens. Vamos a ver o que é que se pode arranjar. Peguei no telefone:
- Telefonista...ligue-me à procudaroria geral da república.
(continua)

publicado por maratonista às 16:30
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