Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005

Literatura. Livros e autores.

No seu livro O Cânone Ocidental, Harold Bloom refere que a escolher autores que representem o séc. XX ele referiria apenas nove: Freud, Proust, Joyce, Kafka, Woolf, Neruda, Beckett, Borges e Pessoa. Independentemente de referir três autores que me são caros (Joyce, Neruda e Borges), um nome eu penso que se eleva acima de todos os outros: Kafka. A ele eu coloco naquela categoria de autores que passam para além da própria literatura e atingem a universalidade. Junto com Cervantes e Dante ele pertence aquela categoria de autores que mesmo que um dia fiquem esquecidos, ele e a sua obra, as suas ideias passaram já a fazer parte da cultura humana. Os termos, os conceitos por eles transmitidos, quixotesco, kafkiano e dantesco estão já presentes em todas as línguas e culturas. Pessoalmente penso que Cervantes é o maior de todos, a ideis de D. Quixote enraiza no próprio humanismo.


Sobre Susan Sontag, falecida no final do ano, José Saramago dá um pequeno testemunho no JL:
"Não voltaremos a ver a madeixa branca de Susan Sontag, não ouviremos nunca mais a sua voz forte e ao mesmo tempo aveludada, não encontraremos nos jornais os seus artigos de análise, crítica e também de protesto e indignação, assegurando-nos de que a honradez intelectual continuava, obstinadamente, a não ser uma mera conjunção de vocábulos. Agora os Estados Unidos deviam estar de luto, se o luto cívico fosse, hoje, nesse país, compatível com a atmosfera perversa e rarefeita que o poder dá a respirar à mentalidade dos seus cidadãos. Susan Sontag «dançava com lobos», ela mesma era uma loba, e às vezes uivava de desespero porque a dor não acaba no mundo, porque a guerra não acaba no mundo, porque o humano tarda a chegar e o inumano nos vai calcando aos pés todos os dias e em todos os lugares. Adeus, Susan, não voltaremos a ver-nos. Vou sentir a tua falta, asseguro-te. Tu já és, segundo o lugar-comum, uma «perda irreparável». Amanhã começaremos a saber até que ponto."

publicado por maratonista às 10:06
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2 comentários:
De Anónimo a 13 de Janeiro de 2005 às 02:01
Todos eles clássicos! Como é bom ver transcrito o Eduardo Lourenço! Quanto à Sontag, e a sua aversão à interpretação...haveria tanto a dizer. Vou tentar transcrever um link, mas já sei que não vai dar certo. Há um artigo que gostaria muito que visses!so12
(http://www.naoeshomem.blogs.sapo.pt)
(mailto:so12@sapo.pt)
De Anónimo a 11 de Janeiro de 2005 às 13:16
Ai ignorancia... nunca li nada de Kafka, acreditas?? Ainda estou a tempo, né? Beijofernanda
(http://apenasmaria.blogs.sapo.pt)
(mailto:apenas-maria@sapo.pt)

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