Segunda-feira, 15 de Novembro de 2004

Começar a semana

Que vos hei-de trazer hoje? Que parte do ar, da terra, da água ou do fogo, que parte de mim, aqui posso pôr hoje? Trago-vos a revista LER, da Primavera de 2001:


Dia-Crónicas de Onésimo Teotónio de Almeida:


Há tempos, no Brasil, na Visconde do Pirajá, ali no Ipanema da bela Rio de Janeiro, passeava eu com uns colegas, a fazer horas...Paragens ora num café, ora numa livraria, eis senão quando deparo com uma velhinha dos seus oitenta anos, apoiada numa bengala, a cruzar-se connosco. Ajustada ao Verão do Rio, vestia uma fresca T-shirt onde se podia ler nada mais nada menos do que JUST DO IT!


 Não resisti a pedir-lhe autorização para uma fotografia, ao que a senhora acedeu com a proverbial doçura carioca publicitada nos livros. Pedi ao João Camilo e ao José Ornelas que se pefilassem ao lado da sorridente e amável jovem.


Não sei se ela estava consciente do significado da mensagem que trazia no peito. Provavelmente não, pois à camisa não houve qualquer referência na nossa troca de conversa e foto, nem ela deu sinal algum de ter percebido o porquê do meu interesse no registo fotográfico. Na maior das simpatias, despedimo-nos da senhora e fomo-nos, apenas fazendo votos de que a imagem ficasse boa, pois era prestimável e de se guardar em colecção.


De Alamda Negreiros



  • Eu vinha de comprar fósforos

  • e uns olhos de mulher feita

  • olhos de menos idade que a sua

  • não deixavam acender-me o cigarro.

  • Eu era eureka para aqueles olhos.

  • Entre mim e ele passava gente como se não passasse

  • e ela não podia ficar parada

  • nem eu vê-la sumir-se.

  • Retive a sua silhueta

  • para nã perder-me daqueles olhos que me levavam espetado.

  • e eu tenho visto olhos!

  • mas nenhuns que me vissem

  • nenhuns para quem eu fosse um achado existir

  • para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia

  • olhos como agulhas de despertar

  • como íman de atrair-me vivo

  • olhos para mim!

  • Quando havia mais luz

  • a luz tornava-me quase real o seu corpo

  • e apagavam-se-me os seus olhos

  • o mistério suspenso poe um cabelo

  • pelo hábito deste real injusto

  • tinha de pôr mais distância entre ela e mim

  • para acender outra vez aqueles olhos

  • que talvez não fossem como eu os vi

  • e ainda que o não fossem, que importa?

  • vi o mistério!

  • obrigado a ti mulher que não conheço
publicado por maratonista às 15:04
link | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 


.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Junho 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Sol & Sombra

. blue Wine

. O Monsto do Espaço

. the day after

. uma pausa

. trabalho infantil

. está calor, não está?

. gaspacho amim, gaspacho a...

. bizantinice

. so beautiful to me

.arquivos

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds