Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Gaivota

Título Sentada, numa rocha próximo ao mar, está a sereiazinha.


Sub-título As escolhas que se fazem marcam-nos para o resto da vida, sejam elas boas ou más.


 A rapariguinha, sentada em cima de um fardo, no cais junto ao porto, estava a chorar. Não que fosse óbvio esse choro, chorava de mansinho. A gaivota tinha andado a caçar um ou outro peixe que às vezes caí dos barcos de pesca e agora tinha pousado e andava a cirandar pelo cais. Quando parou junto à rapariguinha ficou parada a olha-la interessada. Pegando na bolsa que trazia tirou um bocado da sandes e deitou-o à gaivota. Esta apenas debicou sem grande vontade. Então a gaivota abriu o bico e falou. Pode ter sido alguma alucinação provocada por um golpe de sol mas a rapariga ouvio a gaivota perguntar:


Porquê essas lágrimas? Dói-te alguma coisa?


Ainda supreendida a rapariguinha respondeu-lhe – Dói-me o coração, a alma.


Porquê? - Perguntou a gaivota – explica-te.


O meu namorado deixou-me. Não gosta mais de mim e eu não consigo viver com isso.


E porque é que estás aqui – peguntou a gaivota.


Estava a pensar atirar-me à água – disse a rapariga.


Que absurdo – disse a gaivota. A água está muito fria, porque é que queres fazer isso?


Assim talvez ele tivesse pena de mim.


Mas tu queres que ele goste de ti ou que tenha pena de ti? É que não é a mesma coisa.


Não sei – disse a rapariguinha.


Olha rapariguinha bonita – disse a gaivota – eu também sinto às vezes um sentimento de vazio dentro de mim, mas sei que tenho que ultrapassar isso, melhores dias virão.


E ficaram mais algum tempo a conversar findo o qual a gaivota encostou a cabecira nos joelhos da rapariguinha, como num adeus, correu e levantou voo. A rapariguinha ainda ali ficou alguns minutos. Depois soltou um suspiro e levantou-se afastando-se na direcção da cidade.


Alguns meses mais tarde quando estava na discoteca conheceu um rapaz engraçado e dançou o resto da noite com ele. Quando saíram trocaram números de telemóveis( e também um beijo) e marcaram encontro para outro dia.


Antes de se ir embora ele disse-lhe – Sabes eu acho que na outra vida já fui gaivota.

publicado por maratonista às 09:20
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1 comentário:
De Anónimo a 8 de Outubro de 2004 às 15:40
Pena não haver gaivotas na serra... Há por cá muitas pessoas com quem elas poderiam conversar! Beijinhosofia
(http://otecto.weblog.com.pt)
(mailto:sopontocom@clix.pt)

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