Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Walt Whitman

Tenho nas minhas mãos o livro de poesia de Walt Whitman (1819-1892) de seu nome Folhas de Erva, edição recente do Círculo de Leitores. As referências que eu tenho deste poeta vêm sobretudo de livros e jornais, para além de Fernando Pessoa lhe ter dedicado um poema. Considerado o mais importante poeta norte-americano e um dos principais poetas da modernidade Whitman publicou apenas um único volume de poesia que era aumentado ao longo dos anos e ao ritmo de cada nova edição. Deixo-vos aqui um conhecido poema dele:

Ó Capitão! Meu Capitão!

Ó capitão! meu capitão! terminou a nossa terrível viagem,
O navio resistiu a todas as tormentas, o prémio que buscávamos
                 está ganho,
O porto está próximo, oiço os sinos, toda a gente está exultante,
Enquanto seguem com os olhos a firme quilha, o ameaçador e
                 temerário navio;
   Mas, oh coração! coração! coração!
      Oh as gotas vermelhas e sangrentas,
         Onde no convés o meu capitão jaz,
            Tombado, frio e morto.


Ó capitão! meu capitão! ergue-te e ouve os sinos;
Ergue-te, a bandeira agita-se por ti, o cornetim vibra por ti;
Para ti ramos de flores e grinaldas guarnecidas com fitas, para ti
                 as multidões nas praias,
Chamam por ti, as massas agitam-se, os seus rostos ansiosos voltam-se;
   Aqui capitão! querido pai!
     Passo o braço por baixo da tua cabeça!
       Não passa de um sonho que, no convés,
         Tenhas tombado frio e morto.
 

O meu capitão não responde, os seus lábios estão pálidos e
                 imóveis,
O meu pai não sente o meu braço, não tem pulso nem vontade,
O navio ancorou são e salvo, a viagem terminou e está concluída,
O navio vitorioso chega da terrível viagem com o objectivo ganho:
   Exultai, ó praias, e tocai, ó sinos!
     Mas eu com um passo desolado,
       Caminho no convés onde o meu capitão jaz,
         Tombado, frio e morto.

publicado por maratonista às 19:36
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1 comentário:
De maria joao a 10 de Abril de 2006 às 20:34
Walt Whitman é um dos poetas de que mais gosto. Para além disso, este era o poema mais citado em O Clube dos Poetas Mortos, um filme de que é impossível não gostar, mesmo que o achemos piegas. Beijocas e parabéns pela escolha.

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